domingo, 21 de outubro de 2007

Véu



Direito de causa
Para dominar o mundo
Para domesticar as mulheres
E ser completamente
Infeliz
Quem diz a verdade?
Não conhece o seu direito
De abaixar a cabeça
E catar latinhas?
Obedeça!
Sem choro ou lamentos
Não sabe o que está perdendo
Se não já perdeu a porra toda
Então pra que viver
Animal encoleirado
Estamos perdidos
Nem temos a centelha
Então faça algo para me agradar
Pode se ajoelhar
Te darei um chiclete
Quem sabe um trocado?
Submisso, idiota, otário
Dominarei o mundo
Domesticarei todas as mulheres
Só deixa eu me livrar
Da camisa de força.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Poema Anti Depressivo (Beijando os seus pés)


É
A disposição de te agradar pretinha
É tanta que até perco a noção
Mesmo como você na sua singela depressão
Olhando com estrema dedicação
Suas lágrimas caírem no colchão

Pretinha
Ô pretinha
Não sou confortante como a sombra do baobá
Nem tão forte como um orixá
Vamos para debaixo da terra?
Filho de Xangô, Filha de Iansã

Ah pretinha
Continuo pensando em você todo dia
Sem permissão, culpa
Com vontade nenhuma de pedir perdão
E penso pretinha, como eu penso

Pretinha?
Ta melhor?
Já comprei um para-raio
Já mandei abrir o céu
E já providenciei a escuridão no horizonte
Escuridão?
É onde se reuni todos as cores.

Pretinha
É só escolher...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Conquistas que acabam sendo bestas diante da realidade




Equívocos Parte I

Sentado na escada, esperando ela chegar. Hoje ela terá a melhor noite, terá, isso eu garanto. Olho o relógio e nada. Ela na chega. Seus cabelos negros, armação dos óculos negros, belo sorriso, bela retórica. Ah, chegue logo. Estou preparado como nunca. Qual calcinha ela está usando? Tem que ser a pequena, eu exijo. Pô, nem a vi hoje. Ela vai aparecer? Belos seios ocupando o espaço do sutiã meia taça que eu comprei no dia dos namorados. Tomara que esteja usando a lingerie completa. Cadê? Porcaria, já ta atrasada. Odeio esperar. Vou segurar a sua mão. Levarei para o apartamento. Quando abrir porta, já era. Puta que pariu, tirei meu dia para isso. Isso que dá fazer surpresas. Ela entra no apartamento, jogo-a na parede e beijo a sua boca. Lentamente vou beijando e passando a mão pela nunca. O corpo dele desfalece. Puxo-a com certa agressividade contra o meu corpo. Ela delira. Vou ligar para o celular dela. Ta demorando muito. Não. Vai estragar a surpresa. Viro-a de costas. Encosto meu órgão ereto nas suas nádegas e comprimo. Ela diz que sou louco. Beijo a nuca. Já sei, vou ligar para a amiga, talvez ela tenha passado lá depois da faculdade. Viro-a novamente. Olho no olho. Vou tirando a blusa devagar e acariciando os seios. Devagar vou descendo. Chego aos montes venuzianos. Outra pessoa. Existe outra pessoa. Existe outro cara, isso existe. Por isso essa demora. Ela vai ver só; chupo, chupo, chupo, chupo. Chego ao ventre. Um dia cultivarei meu jardim, um dia. Chego até a calça. Opa. Ela ta vindo. – olá, demorou ein? – quem mandou esperar? – Pô, por que essa ignorância? – o que você ta fazendo aqui? – Ah, sabe que eu te amo! – Para com isso, não tem volta. – Por favor, vamos conversar pelo menos? – Eu sugiro que você vá embora – Embora? Porra, te esperei o maior tempão, faz isso comigo não – Tchau – Pô...- Tchau, vai embora e não apareça mais! TENHO MAIS O QUE FAZER! Ela sobe nem olha para trás. Fico desolado e vou para casa terminar o serviço. E a calça? Nem deu para ver a calcinha que ela tava usando. De qualquer maneira eu vou abrir a minha e parafraseando, vou fazer um ato solitário no qual me envergonho nessa idade. Como me envergonho...

Equívocos Parte II


Diante do último resquício de esperma no sofá, tiro a fita erótica imaginando o olhar da gostosa da penúltima cena. Vou descalço a cozinha. Abro o armário resgatando a última seda e restante da erva. Aperto aquele baseado. Fumo voltando para a sala e sento novamente no sofá. A onda vem em forma de fractais flutuantes onde fico perdido na ilusão de vida na qual sempre quis. Lembro da última mulher que ficou nua na minha frente, a vontade de masturbar aparece, entretanto a tristeza é tamanha. A reflexão entra em cena no intervalo de uma pressão mostrando a mediocridade do sistema no qual me inseri. Está na hora de colocar a segunda fita, pois aquela atriz lembra aquela menina da faculdade que quero trepar. Masturbar doidão demora mais, então a imaginação vai labutar melhor do que a encomenda. Deveria chegar e dizer para ela o quanto ela é bonita e gostosa,. Mas não vou usar essas palavras secas, é claro. Criar toda uma alegoria, falar coisas bonitas, sorrir, sei lá, uma merda para ela dar para mim. Só quero transar, só isso. To muito louco! Lou - co! hahahaahahahahahahahahahha. Começou o flime. Nossa, olha que rabão! Meu deus! Ah ! Bem, minha vida é resumida a essa chatice. Não gostou? Olha-se no espelho então. Vai se fuder. Não enche. Deixe-me quieto!

Equívocos Parte III

Há, você está aí. O que você ta olhando? Vem cá, me chupa! É, gostou da minha pica? Gostou? Vem cá então. Isso. Chupa piranha. Aaaaa que boca. Até a garganta. Vai. Segura. Que foi? Tem sem ar? Não foge (tapa na cara) Batendo com força? Foda-se! Continua chupando. Vou gozar na sua garganta. Que língua, que língua. Que língua. Opa! Tem alguém chegando... Deixa eu desligar... Ah, cadê o controle? Achei! Levantar a calça. Tv desligada. - Oi amor, que silêncio é esse? A tv desligada a essa hora? O que você tava vendo? – Porra nenhuma! – Sei... comprei a blusa, mas não tinha da cor que você pediu. Trouxe branca e... – PORRA! NÃO FALEI QUE QUERIA AZUL? – Mas eu ia andar mais... – NÃO INTERESSA. TRAZIA AZUL OU PORRA NENHUMA. ESSA SUA MANIA DE QUERER ME MOLDAR, NUM FODI! – IH, por que essa ignorância? Preferiu ficar em casa e agora ta reclamando? Já almoçou? – Já. _ Na próxima vez a gente vai junto. – VAI JUNTO É O CARALHO. – Nossa, como é que eu casei com você? Nunca me trata direito. Se fosse um amigo seu... – AAAAAAAAAA, vai tomar banho e não enche a porra do saco. – É ISSO QUE VOU FAZER SEU CAVALO! – AH, VAI TOMAR NO CU! Já foi? Cadê o controle? Hum, deixa eu tirar o dvd. Porra, atrapalhou mais uma. Logo na cena daquela gostosa. Aliás, era para eu ter casado com aquela gostosa ou algo parecido. Pelo menos ela sabe chupar. Puta que pariu, to com maior tesão. Deixa ela terminar de tomar banho e eu entro no banheiro e termino de bater. Só assim. Só assim dá pra gozar nessa vida.

sábado, 13 de outubro de 2007

Trovoadas



A cor preta da força
Me deixa em dúvida
De que sou capaz
De derrotar a conduta
Que me enclausurou nesses dias de luta
E me fez ser modelo
Da opressão enxuta
E eu peço ajuda
Ao pensamento inútil
A minha preta linda
E ao meu corpo podre
O meu pensamento continua
O meu corpo continua
E a minha preta linda
Que na verdade não é minha
Importuno-a, encho o saco
Só para dizer que preciso
dela
dela
E dela
he., talvez ela nem me queira
Mas a dúvida talvez nem seja essa

domingo, 7 de outubro de 2007

Poemas Situacionais




Relaxa e Dorme

Preta,
Precisa de massagem?
Minhas mãos sedentas
Sedem o seu o corpo
E seu jeito manhoso
Me deixa jeitoso
De fazer com gosto
E deixar seu corpo gostoso
E com o óleo te besunto
Te deixo lisa de desejo
E com minhas mãos
Compreendo todos os seus anseios
E depois de uma noite de massagens
Venha para os meus braços
Venha e durma.




Na pressão e goze

Preta,
Eu quero muito
Te segurar pelo cabelo
Te pegar de jeito
Com jeito
Vou te pegar de quatro
De lado
De frente
Ufa....
Com suas unhas
Você marca minha pele
E com movimentos
Nos abafamos em gemidos
E você grita
E eu meto
Você me come
E eu grito
Na pressão
Preta
É paixão
Preta
Gozaremos
Preta
Gozaremos
Preta
Não dá mais para falar

IXI

Preta,
Seus olhos arregalam
Quando falo algo que não é de agrado
Caramba
Não sou da sua laia
Então por que explana
Que não queria que eu saísse de sua cama
Exagerei?
Quando você mete o dedo na boca
De ansiedade por eu te deixar louca
Ou pense que eu te deixe louca
Ou eu fico louco por você ficar louca
Não tenho culpa
Que olhei no seu olho
E acompanhei o mexer da sua boca
E entre o ser pilantra
E cheio de histórias
Quero construir uma memória
E tem que ser contigo
Tem ser contigo
IXI, fale logo
Ta bom
É contigo preta


Cabelos

Preta,
Nosso cabelos crespos
Entrelaçam sentimentos
E cremes destoam
Toda a química existente
Entre uma hidratação
Entra uma negação
A estética nos compromete
A estética nos envolve
A estética nos acalenta
A estética nos acalma
E enquanto
Nos empurram pentes quentes e máquinas zero
Nossso cabelos crespos
Transam
E nos dão belos filhos de dread...






Filha do vento

Preta,
Diz a lenda
Que existia uma tribo de príncipes africanos
Cuja especialidade era produzir orgasmos múltiplos
Nas mulheres
Só que conhecerem as filhas de Iansã
E sentiram que não eram tão especialistas
Então repensaram as práticas
E tentaram manter sua fama
Pegaram as filhas de Iansã
E dedicaram-se uma semana
As filhas de Iansã se reuniram
E disseram:
“Estão perdendo tempo,
Pois só temos orgasmos quando queremos
E assim como o vento
Vocês nunca irão saber
Quando seremos intensas.”
Sabe qual é diferença da lenda pro nossos dias?
Sabe?
Nem eu sei
Só sei que você é filha de Iansã
E eu quero saber quem sou...
























sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Download!!!


Uma onda de inconformismo invade a cena. Sem poder identificar o posicionamento no mundo, pegar ônibus sem rumo se torna a melhor opção. Quero fugir, quero fugir. O porteiro te olha com uma de desconfiado quando você entra desesperada com os olhos lacrimejados. Você procura garrafas, comprimidos, bagunça a porra toda. Um baseado. O bom e velho baseado. A vertigem procura uma forma e te dar de redefinição dos conceitos. Nunca foi certo essa porcaria mesmo e você está no quarto comendo e dormindo sem noção de sua potencialidade. Puta merda. Não sou coitada. Não sou coitada. Não... sou... coitada!!! Ta, já entendi. Do que adianta ouvir essas besteiras se a estrutura não me favorece em nada? Do que adianta? Aé, a busca. A buuuscaaa. Sem sentido essa merda. Senta ae, acende um cigarro, escarra nessa boca que te beija, a mão te afaga, é a mesma que te apedreja. Nem perguntei se você fuma né? Você se aporrinhou derrepente, levantou o copo cheio de vinho. E eu com o pano tentando secar o chão. E eu com o detergente tentando tirar o cheiro. A preta gata encostada na parede e você chega nela. Tasca outro beijo. Beijo. Homossexual. Putz.... Que merda ein! Nem deixou para mim. As vezes é difícil visualizar o quanto de caos somos induzidos a criar em nome de uma pretensa identidade. Às vezes o que acontece com o nosso ente mais querido é motivo para nossa desistência. Mas porra, somos continuidade das pessoas queridas, das pessoas que amamos e elas não desistiram, por isso a amamos. Vem cá, senta aí. Senta aí ó. Quer uma tragada? Ta vendo, ta vendo? Ta visualizando? A mente é infinita mulher preta e desistir é maneira mais fácil de destruição. Inventa uma bomba, uma poesia, uma música, ocupe os espaços historicamente negados. Sei lá! E a forma mais interessante de destruir algo. Destruir o condicionamento que nos dá a sensação de derrotados. É o que as pessoas que amamos querem que nós façamos. É o que eles querem. Aê, o baseado é foda porque do nada ele te dá uma sensação de intelectualidade. Apaga essa merda. Vou ali tomar uma cerveja, quando sair feche a porta. Saia de manhã. É melhor para enxergar...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Representações do Campo do Experimento



E ela olha dizendo que está confusa. Explica que tentou evitar. Evitar o que? Não está acontecendo nada. As unhas arranham a pele deixando marcas. Tenho vergonha. Ué, quem diria. Ela pede uma rapidinha. Diz que estou aprovado. E quem disse que preciso de sua aprovação? Você não sabe pedir. Só que você gosta de pegar. E gosta de sentir. E como gosta. Nem tenho algo tão excitante para proporcionar algo para sua imaginação. Talvez seduzir uma jovem e fazê-la perceber que ela gosta de sentir prazer, gosta de gozar e que a vida é excitante. É altamente válida. Encostá-la na parede, baixar delicadamente sua calça e penetrar. Tenho pouco recurso para investir em sua imaginação. Talvez se tivesse uma demonstração, pensaremos no seu caso. Mas o que realmente interessa além de gemidos e pedidos para fazer melhor do que já se fez. Quanta pretensão. Olha, tem alguém querendo nos vigiar. Foda-se tudo e a todos. Querendo mais e talvez uma exposição de um proto-sentimentalismo. Eu gosto o suficiente para me preocupar. Prometo te dar, carinho, mas gosto de ser sozinho, livre para voar... Ai, que chatice. É tudo clichê. É tudo clichê. Reveja esse roteiro pelo amor de Deus. Não quero o homem demonstrando maturidade na relação. Não quero uma jovem decidida e apta para ter prazer. Eu quero conflitos, confusões, brigas, choradeiras, paus duros e bocetas molhadas. Fazem tudo errado. Fazem tudo errado. Estão todos demitidos. Pausa para o intervalo. Coloca uma musiquinha ae! Pararapapararapaparararapaaaaaaaaaa. Um montoado de moedas no criado mudo e vários livros no chão do quarto e sua dança seduz todas as células do meu corpo. Atos e mais atos involuntários são codificados para o risco em ter alguém para desvendar o mistério. Aham pode parar. Ainda não gosto disso. Tem um cigarro? Eu não fumo. Tá, eu não gostei cara. Eu quero superficialidade. Não precisa definir quem é quem. Só ação e não interessa as conseqüências. Ae quer saber? Vem cá, só nos curtindo, se beijando, transando, gozando, se entendendo e vivendo. Rasga o regime padrão de representação de lado e me abraça. Gostosa, gostoosa, gosstooooooooooosaaaaaaaaaaa. Para de me chamar disso. Hahahahahahahahahahaha vai embora vai. Valeu! He.